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Em momentos de dúvida, dor, insegurança ou confusão, é comum querer uma direção, uma confirmação ou até um alívio. Buscar orientação espiritual é algo natural. 

Mas em que momento essa busca saudável deixa de ser apoio e passa a se tornar dependência? Você já percebeu que há pessoas que não conseguem tomar nenhuma decisão sem consultar alguém ou algum oráculo antes? Já percebeu como isso pode, aos poucos, enfraquecer a própria capacidade de escolha?

Dependência espiritual pode ser confundida com ter fé ou com buscar orientação. Mas isso é diferente de fazer uma consulta para ampliar a visão sobre uma situação. O tipo de dependência espiritual que queremos abordar aqui é aquela que te faz sentir que você não consegue agir sem autorização. É acreditar que outra pessoa sabe mais sobre o seu destino do que você mesma(o) ou ter medo constante de decidir e depois “errar”, como se a responsabilidade pelas suas escolhas pudesse ser transferida para alguém.

O grande risco da dependência espiritual é a terceirização do destino. Quando você começa a entregar suas decisões para outra pessoa, você também entrega sua responsabilidade. Se algo não acontece como esperado, a culpa passa a ser do oráculo, do profissional ou da espiritualidade. Se algo dá certo, você pode nem reconhecer que foi sua atitude que construiu aquele resultado. Aos poucos, sua confiança na própria percepção diminui e você deixa de se ouvir, de se observar, assim deixando de amadurecer emocionalmente e espiritualmente.

Se Deus nos concedeu o livre arbítrio, por que estamos tentando devolvê-lo?

O livre arbítrio que Deus nos deu é exatamente sobre termos responsabilidade, assumindo que nossas escolhas geram consequências (boas ou não). Implica compreender que nem sempre haverá uma garantia absoluta antes de agir.

A espiritualidade pode orientar, sinalizar caminhos, ampliar a consciência sobre uma situação, mas ela não substitui a sua capacidade de decidir. Quando a orientação passa a ocupar o lugar da sua decisão ou ação, algo está desequilibrado.

O papel do profissional espiritual não é decidir por você. Um profissional sério orienta, esclarece, provoca reflexões e amplia perspectivas. Ele não entrega sua vida pronta, não escolhe por você e não assume o que é da sua responsabilidade. Ao contrário, ele fortalece sua autonomia e incentiva que você aja por si mesma(o).

É importante observar como você se sente após uma consulta. Você sai mais consciente e fortalecida(o) para agir? Você sente que está aprendendo a se posicionar melhor na sua própria vida ou sente que está ficando cada vez mais insegura(o) sem orientação externa? Como avalia o nível de sua autonomia emocional e consciência? Essas perguntas ajudam a perceber se a espiritualidade está sendo usada como apoio ou como muleta.

Recuperar a autonomia começa com pequenas atitudes como se questionar com perguntas que ampliem a consciência, e não que transfiram decisões. Assumir que mudar de ideia faz parte do processo, reconhecendo que erros também ensinam e fazem parte da evolução. A espiritualidade não existe para impedir você de viver experiências, mas para ajudar a compreendê-las com mais clareza.

Muitas pessoas podem ficar vulneráveis ao se perceberem por muito tempo com dependência espiritual. Se este for o seu caso, a forma mais rápida de sair disso é compreender que você não é fraco(a) e nem incapaz, apenas esteve vulnerável por algum tempo.

É preciso escolher profissionais que gerem questionamentos e que incentivem ação responsável e aumentar seu nível de consciência. Opte por aqueles que reforcem seu poder de decisão, e não que o substituam.

Aqui no Conselhos do Bem, entendemos que orientação não substitui decisão. Não realizamos trabalhos manipulativos e não incentivamos qualquer forma de controle sobre terceiros, pois acreditamos que a Espiritualidade sempre visa à autonomia. Cada pessoa é responsável por suas escolhas e pelas consequências delas. Esse é o princípio básico da Espiritualidade de verdade!

Por isso, é sempre importante refletir se você busca orientação para compreender melhor suas possibilidades ou para evitar decidir. Está usando a Espiritualidade como instrumento de consciência ou como fuga da responsabilidade?

A Espiritualidade busca sempre sua evolução como ser espiritual que é, e, enquanto encarnado(a), eles querem pessoas conscientes, responsáveis e capazes de escolher.

O karma não deve ser algo a se temer, mas um mecanismo de aprendizado e construção. Veja apenas como a lei natural de ação e consequência. Assim como colhemos aprendizados a partir dos nossos erros, também colhemos frutos das boas escolhas conscientes e alinhadas.

A dependência espiritual só existe quando esquecemos do nosso livre arbítrio. Se esse tema fez sentido para você, leia também “O Livre Arbítrio que você detesta” e compreenda como autonomia e responsabilidade caminham juntas com a Espiritualidade.

 

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