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Você sabia que na astrologia indiana a posição da Lua costuma revelar muito mais do nosso mundo interior do que a maioria das pessoas imagina?

A popularmente conhecida astrologia védica, ou astrologia indiana, é conhecida em sânscrito como Jyotisha, termo que significa "o estudo da luz" (jyoti). Desenvolvida na Índia ao longo de séculos, essa tradição recebeu influências tanto da própria cultura indiana quanto de outras civilizações, como a persa e a grega, especialmente durante o período helenístico. O resultado foi um sistema astrológico rico, profundo e sofisticado, que continua sendo amplamente estudado e utilizado até os dias de hoje.

A Índia abriga uma das tradições filosóficas e espirituais mais antigas do mundo, marcada por uma busca contínua por compreender a natureza da consciência, o propósito da existência e as leis que governam a vida. Foi nesse ambiente que nasceram diversos sistemas de conhecimento, como o Yoga, o Ayurveda, o Vedānta e a Jyotisha.

Embora cada um tenha seus próprios objetivos e métodos, todos compartilham uma visão comum: a de que o ser humano faz parte de uma ordem maior, na qual corpo, mente, natureza e consciência estão profundamente interligados.

Dentro dessa tradição, a Jyotisha não foi concebida apenas como uma ferramenta para fazer previsões, mas como um instrumento de autoconhecimento pois incorpora conceitos como karma, reencarnação, os guṇas (as qualidades ou atributos primordiais da natureza humana) e os varṇas (as conhecidas “castas" ou funções sociais que compõem a antiga estrutura da sociedade indiana), ao mesmo tempo que compartilha da mesma base da astrologia ocidental como signos, casas, planetas, aspectos entre os planetas, análise de trânsitos, etc.

A astrologia trabalha com arquétipos, ou seja, padrões simbólicos que descrevem tendências. Na Jyotisha, esses padrões refletem tendências da personalidade, talentos, desafios e os frutos do karma que tendem a se manifestar ao longo da vida já que a carta do céu do momento em que você nasceu é o mapa do seu karma. Ela revela predisposições a certos comportamentos e a maneira como determinadas energias que você já trouxe de outras vidas tendem a influenciar suas escolhas na vida atual.

Sabendo disso, entendemos que a astrologia não descreve um roteiro imutável, mas um mapa de possibilidades e tendências que ao termos seu conhecimento nos ajudam a navegar pela vida entendendo como nos encaixamos no contexto maior de onde vivemos, nosso propósito nesta existência  e os aprendizados que viemos desenvolver, assim como compreender melhor quem somos, os padrões kármicos que trouxemos para esta vida, assim como os desafios que encontramos pelo caminho e os recursos que temos para lidar com eles.

Dificilmente um astrólogo versado afirmará que alguém está destinado a seguir uma profissão específica, como contador, professor ou jornalista. O que ele poderá identificar são inclinações naturais. Por exemplo, uma forte influência de mercúrio no mapa pode indicar facilidade para áreas ligadas à comunicação, ao raciocínio lógico, à escrita, ao estudo, à análise e transmissão de dados, ensino, ou ao comércio, permitindo que essa energia se expresse de diferentes formas, conforme as escolhas e o contexto de vida de cada pessoa.

Como astróloga eu tenho uma predileção por estudar os nakshatras, que são um recurso exclusivo da astrologia indiana, e tem várias funções muito importantes como ajudar a determinar o tempo em que uma promessa do mapa irá se manifestar, o melhor momento para recitar um mantra, o melhor momento para casar, assinar o contrato de venda de uma casa, entre outros eventos, assim como também é usado na sinastria para verificar a compatibilidade de um casal. Em relação a carta natal, costuma-se examinar a natureza do nakshatra ocupado principalmente pela Lua, já que esta representa as tendências mentais e emocionais do indivíduo, e também do ascendente que representa o corpo. Isso pode ser visto facilmente durante uma conversa com o astrólogo sem necessidade de uma consulta completa de mapa natal.

Quando refletimos sobre a vida, em última instância, todos somos a alma. O Sol representa o Ātman, a alma de todos, a alma universal; ele não conhece diferenciações. A Lua, por sua vez, representa a individualidade através da qual a alma se manifesta, sendo esta o responsável pelas inúmeras variações e diferenças entre as pessoas. Por isso, os nakshatras, baseados na posição da Lua, são fundamentais para acrescentar profundidade e detalhes à interpretação do mapa astral. Os nakshatras são tão importantes na astrologia indiana que ocupam um papel semelhante ao do signo solar na astrologia ocidental. São ao todo 27 nakshatras da Lua, e suas qualidades oferecem um poderoso instrumento para o autoconhecimento, sendo amplamente utilizados em contextos de aconselhamento e compreensão psicológica, além de proporcionarem uma perspectiva única sobre a natureza humana.

Os antigos sábios da Índia identificaram os nakshatras como as moradas para onde os frutos de nossas ações (karma) são transferidos e armazenados. São os nakshatras que distribuem esses frutos do karma, sendo o mais elevado deles o fruto de nossa adoração, meditação e de todo o nosso esforço espiritual ao longo da vida.

Os nakshatras correspondem aproximadamente ao percurso que a Lua realiza em um dia. Por estarem relacionados à Lua, suas qualidades refletem principalmente a mentalidade, a atitude e a forma como um planeta ou ponto do mapa astral se manifesta internamente. Já os rāśis (os signos do zodíaco) indicam aquilo que é expresso externamente e a forma concreta que essa energia tende a assumir.

Imagine duas pessoas com Lua em Touro - uma nasceu com a Lua no nakshatra Rohini, a outra em Krittika, dois nakshatras diferentes ainda que compartilhem o mesmo signo. Ou seja, o filtro mental de cada uma pode ser bastante diferente.

É justamente essa riqueza de detalhes que os nakshatras ajudam a revelar. Inclusive, usando o mesmo exemplo da Lua em Touro em Rohini, de acordo com a mitologia védica, Rohini era a esposa favorita de Chandra (a Lua). Embora a Lua fosse casada com as 27 filhas de Daksha - que correspondem aos 27 Nakshatras - ela passava muito mais tempo com Rohini do que com as demais. Esse favoritismo despertou o ressentimento e o ciúme das outras esposas, que reclamaram ao pai. Foi justamente esse desequilíbrio que levou Daksha a amaldiçoar a Lua, dando origem ao mito do seu ciclo de crescimento e diminuição.

Rohini representa aquilo que naturalmente atrai o olhar, o afeto e a atenção. Assim como a Lua não conseguia deixar de permanecer em Rohini, pessoas com a Lua nesse nakshatra frequentemente parecem exercer um magnetismo que desperta admiração, proteção ou preferência nos outros. E, da mesma forma que ocorreu no mito, essa atenção diferenciada pode provocar inveja, comparações ou ciúmes em quem está ao redor.

Não é incomum que eu, como astróloga, observe nativos de Lua em Rohini relatarem que, ao longo da vida, estiveram em situações em que se tornaram alvo de rivalidades sem compreender exatamente o motivo. Por outro lado, a lenda também traz um ensinamento importante. O problema do mito não é Rohini em si, mas o desequilíbrio da preferência.

A história lembra que aquilo que mais brilha inevitavelmente desperta reações diversas. A mesma luz que encanta algumas pessoas pode provocar desconforto em outras. Para quem possui a Lua em Rohini, o aprendizado muitas vezes está em cultivar essa beleza e magnetismo com humildade, sem sentir a necessidade de justificar seu brilho ou diminuir sua própria luz para evitar o desconforto alheio.

Essa leitura não significa que todo nativo de Rohini será alvo de ciúmes ou inveja. É uma tendência simbólica observada na tradição e em muitos relatos, cuja manifestação dependerá do restante do mapa natal. Ainda assim, a correspondência entre o mito e essa experiência é uma das mais elegantes dentro da simbologia dos nakshatras: a esposa favorita da Lua continua, de certa forma, atraindo os olhares - e, às vezes, também o ressentimento daqueles que sentem que a luz foi distribuída de forma desigual.

Como almas, não estamos limitados ao mapa natal, embora ele represente a fase atual da nossa manifestação nesta existência. Ele descreve um padrão específico de experiências e energias que buscamos compreender e integrar durante esta encarnação. Trata-se de uma estrutura que nós mesmos construímos, ainda que não apenas nesta vida, e que pode ser transformada à medida que transformamos nossas ações cotidianas. Como almas, todos compartilhamos o mesmo potencial e enfrentamos, em essência, os mesmos desafios fundamentais em nossa jornada. O objetivo espiritual é transcender as influências externas, especialmente a necessidade de sermos alguém aos olhos do mundo.

Sob essa perspectiva, nosso mapa natal representa um retrato do nosso estado de ignorância espiritual, dos padrões de desejo e do karma nos quais estamos envolvidos. O propósito da astrologia não é apenas revelar esses padrões, mas também ajudar a indicar um caminho para superá-los.

Neste artigo, conhecemos apenas uma pequena parte desse universo da astrologia. Os nakshatras são um excelente exemplo de como, às vezes, um único elemento do mapa pode abrir portas para compreensões surpreendentes.

Mesmo sem realizar uma análise completa do mapa natal, a observação de determinados posicionamentos durante uma conversa pode trazer reflexões bastante relevantes sobre padrões emocionais, talentos e desafios.

É justamente esse tipo de investigação que realizo durante minhas consultas tanto com a astrologia quanto com o tarot, buscando compreender não apenas os acontecimentos da vida, mas também os padrões emocionais e kármicos que lhes dão origem.

 

*Artigo enviado por Diana - Especialista em Astrologia Indiana Jyotisha (Védica), Troca de Alma, Reiki, Tarot de Rider-Waite, Baralho Cigano, Tarot Zen do Osho, The Witches' Oracle, Oráculo Romance Angels, Cartas de Cura das Cinco Feridas Emocionais, Gráficos de Radiestesia e Pêndulo.

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