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Às vezes a vida nos coloca diante de situações que fazem a gente se questionar, mesmo quando aparentemente nada muito grave aconteceu. É uma sensação interna difícil de explicar com precisão, como um cansaço que vem do nada, uma mudança de humor depois de encontrar alguém ou até uma inquietação que permanece sem motivo claro.

Se você sempre foi uma pessoa sensível, com interesse em entender melhor a própria espiritualidade, provavelmente sinta o que te faz bem e o que te desgasta. O problema é que essa sensibilidade, quando cresce, nem sempre vem acompanhada de limite na mesma medida, certo?

Talvez você já tenha vivido situações em que saiu de uma conversa se sentindo mais pesada(o), mesmo que a conversa em si não tenha tido nada de “errado”. Ou momentos em que você continua pensando no problema de outra pessoa por horas, como se aquilo tivesse se tornado seu também. 

Mas existe uma diferença importante entre ser sensível e não ter limite.

Uma forma simples de perceber isso no dia a dia é se observar como um filtro ou como uma esponja. O filtro entra em contato, mas seleciona o que fica. A esponja absorve tudo, sem escolher, e depois precisa lidar com o acúmulo, o resto do outro que ficou em você. Quando você sai cansada(o), pensando demais ou se sentindo carregada(o), vale se perguntar em qual dessas opções você está naquele momento.

Sensibilidade é perceber mais, captar detalhes, se conectar com o outro com facilidade. Falta de limite é não conseguir filtrar o que entra, o que fica e o que precisa ir embora quando a conversa acaba ou quando você sai daquele ambiente. 

Até onde você permite que o outro acesse o seu campo?

Nem toda conversa precisa se aprofundar, nem toda pessoa precisa ter acesso ao que é mais íntimo em você, e nem todo momento é adequado para se envolver emocionalmente com o que o outro traz. Ainda que você seja um terapeuta, tarólogo ou apenas muito próximo de alguém que interagiu, no meio das interações, existem pequenos sinais que indicam quando um limite está sendo ultrapassado. Pode ser um incômodo leve que você ignora, uma vontade de sair da conversa que você reprime por educação, ou aquela sensação de que já deu, mas você continua ali.

Perceber isso enquanto acontece já é um avanço, porque te dá a chance de agir diferente. Só que às vezes agir diferente pode ser algo mais simples do que parece, como mudar o rumo da conversa, não se aprofundar em determinado assunto ou até encerrar aquele contato sem precisar de uma justificativa elaborada. Você se sente mal de "cortar" as pessoas quando sente que está absorvendo a energia delas? E essa energia delas, será que elas transferem mesmo para você ou você passa a sua "energia boa" pra elas?

Muitas pessoas, quando se sentem drenadas, acabam atribuindo isso ao outro, como se alguém tivesse “roubado” sua energia. Mas, na maior parte das vezes, o que aconteceu foi a ausência de um limite claro. E existe uma responsabilidade sua em relação ao que você permite que permaneça dentro de você ou saia de você.

Quando esse padrão de absorver tudo se mantém por muito tempo, ele começa a aparecer em outras áreas. A pessoa pode se sentir constantemente cansada, mais irritada, com dificuldade de diferenciar o que é dela e o que vem do outro, ou até com vontade de se afastar de tudo como forma de tentar se proteger, muitas vezes sendo confundido até com depressão.

Por isso cuidar da sua energia precisa ser algo que acontece nas escolhas do dia a dia. Perceber como você entra e como sai de certos ambientes, notar quais conversas te deixam mais leve e quais te deixam mais carregada(o), observar o que você continua pensando depois que o momento já passou...

Também passa por escolher melhor o que você compartilha e com quem compartilha. Nem todo mundo quer ouvir o que você sente, nem todo mundo se importa com você ou nem todo mundo vale seu tempo de energia pensando na pessoa ou conversando com a pessoa, e reconhecer isso evita desgastes desnecessários, por mais doloroso que seja ter lido isso aqui agora.

Com o tempo, essa atenção que você escolhe pra quem dá vai mudando sua experiência. Você começa a perceber mais rápido quando algo não te faz bem e já evita ou corta, se recupera com mais facilidade depois de interações mais pesadas e se sente mais segura(o) para se posicionar, deixando de funcionar como esponja e passando a agir mais como filtro nas suas relações, incluindo relações a distância como pessoas que você segue online e nem conhece pessoalmente ou em conversas online também.

Cuidar da sua energia é um processo contínuo, que envolve perceber, ajustar e respeitar o próprio limite, pois sempre foi você quem escolheu como gastar sua energia, assim como seu tempo. O que permite entrar e o que fica por dentro depois é sua escolha. Se você escolher filtrar sempre, vai aprendendo aos poucos a escolher o que permanece em você em todas as áreas da sua vida.

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